Muitos profissionais ligados ao treinamento personalizado lidam no dia-a-dia, na maioria dos casos com clientes iniciantes ou clientes que não desenvolvem um treinamento contínuo a ponto de se instaurar nesse indivíduo vários ciclos de treinamento, assim quando nos deparamos com alguns clientes fiéis e desafiadores, criamos paralelamente uma barreira desafiadora no que diz respeito à evolução das cargas de treinamento deste indivíduo. Com uma visão resumida do controle de cargas, aqui vão algumas dicas para essa evolução de cargas no treinamento personalizado.
As cargas ou estímulos efetuados sobre o organismo do cliente ou atleta são as cargas de treinamento, seguem uma determinada classificação no que diz respeito a sua especificidade, componentes e orientação.
No quesito especificidade leva-se em consideração o pedido do cliente, o trabalho específico de uma determinada habilidade, qualidade física e até mesmo um grupo muscular específico, como por exemplo, o fortalecimento de membros superiores para remadores ou aspirantes da modalidade, ou, o condicionamento geral.
Falando-se de componentes a intensidade pode ser resumida na forma de aplicação de força em uma unidade de tempo estipulada pelo treinador, ou seja, frações de tempo pré- determinadas antes da execução, essa variável de intensidade é mudada na maioria dos trabalhos personalizados, ou seja, a cada mini-ciclo. A duração do exercício também é um componente de prescrição, a ação sobre o organismo treinado também pode ser medida e quantificada com o tempo de duração do mesmo. Ainda dentro dos componentes existem o volume e a densidade. Volume, quantificando as cargas de treinamento, podemos enquadrá-la em uma unidade ou ciclo de treinamento: volume global ou parcial. No volume global podemos enquadrar o tempo total de atividades do nosso cliente, não especificando tempo de treino aeróbio ou anaeróbio ou de flexibilidade ao contrário do volume parcial onde são feitas as divisões. Densidade, isto nada mais é do que o tempo entre a sessão de esforço e o período de recuperação até novo estímulo.
No treinamento personalizado, a presença dos intervalos durante a sessão de treinos é a menina dos olhos, dependendo do tipo de intervalo entre um exercício e outro ou até na mesma série, você pode mudar sistematicamente o tipo de objetivo proposto. Intervalos rígidos, curtos, completos, super-compensatórios, prolongados, determinarão a qualidade do objetivo a ser alcançado. Existem os treinadores que ainda aplicam os intervalos ativos e passivos, entre uma série e outra, o seu cliente pode ficar em descanso total passivamente falando, ou ativo, onde os músculos agonistas são descansados e os antagônicos ao movimento são trabalhados.
Nas orientações de cargas, aplicamos de acordo com o grau de aptidão de nossos clientes, as cargas podem ser divididas em função dos objetivos e também na qualidade específica que o nosso aluno possui, assim não deixamos de lado uma qualidade que poderá contribuir no resultado final, como por exemplo, o condicionamento aeróbio. Em cargas seletivas, determinamos o método ligado a capacidade funcional do nosso cliente, exemplo: se ele é corredor, e corre continuamente por cinco quilômetros, podemos dar continuidade ao trabalho usando o método seletivo de corrida contínua. E em cargas complexas podemos utilizar um ou mais sistemas funcionais, como utilizar um método de resistência e velocidade na mesma sessão. O grau de aptidão é único em cada cliente, portanto o tempo de recuperação entre uma sessão de treino e outra é peculiar e, além disso, muito restrito ao tempo direcionado pelo cliente e pelo treinador.
A adaptação ao processo de treinamento mencionará o tempo de cada ciclo, muitos treinadores caracterizam de forma rústica os ciclos no processo de dor muscular provocado pela atividade, na verdade os nossos músculos se “acostumam” com os mesmos estímulos, e isso é uma das alternativas para se basear na mudança de ciclo, mas não a única.
E, finalizando, podemos ainda agregar a esse resumo de aplicações de cargas, os sinais que eles podem emitir para correção dos ciclos, estímulos e das próprias cargas, são as indicações de super-treinamento (over training). Diminuição da capacidade de trabalho, fadiga crônica durante o dia de descanso ou mesmo no dia de treino, dores em músculos, articulações e tendões, dores de cabeça, náusea, gripes seguidas são termômetros para se repensar no controle de cargas.
Boa tarde Ed, no meu caso que faço todas as séries de treinamento com curto tempo de intervalo, qual o benefício que posso ter.
ResponderExcluirObrigado pela visita em primeiro lugar. No seu caso, independentemente da direção do seu treinamento, ou seja, se é pra resistência muscular, hipertrofia ou força, isto se resume numericamente em aproximadamente 60,75,90% da carga máxima alcançada, fisiologicamente as microlesões nas fibras musculares e o stress metabólico são altos em intervalos curtos, é mais "sofrido" o treino, mas os benefícios são alcançados mais rapidamente, só pra se ter uma idéia usando uma intensidade de 60% da máxima, com pouco intervalo, gera-se adaptações cardiovasculares ótimas na inclusão de dois ou mais exercicios na mesma série, o chamado circuito, e você nem está executando diretamente um exercício aeróbio. Resumindo, se você consegue manter intervalos curtos, os beneficios serão muitos.
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